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Estudo da Universidade de Plymouth mostra nanoplástico dentro dos rabanetes

Cientista com bata branca analisa rabanetes em laboratório com microscópio e material de estudo.

Os legumes são vistos como o símbolo de uma alimentação saudável - mas um novo estudo indica que até os rabanetes conseguem absorver partículas minúsculas de plástico para o seu interior.

O que durante muito tempo pareceu uma preocupação ambiental distante entra agora, de forma desconfortável, no quotidiano: o plástico já não está apenas no mar, na água que bebemos ou no ar que respiramos; ao que tudo indica, pode chegar às partes comestíveis das plantas. Uma equipa de investigação do Reino Unido demonstrou isto de forma clara, abrindo uma discussão inquietante sobre aquilo que chega à nossa mesa.

Como é que o plástico acaba por parar ao rabanete

O trabalho foi conduzido por investigadoras e investigadores da Universidade de Plymouth e publicado a 23 de agosto de 2025 na revista científica “Environmental Research”. O objetivo era direto: perceber se fragmentos de plástico ultrapequenos não ficam apenas no ambiente (solo), mas se conseguem, de facto, migrar para dentro de plantas alimentares.

Para o teste, o rabanete foi usado como planta-modelo. Em vez de ser cultivado em terra, foi produzido num sistema hidropónico - ou seja, numa solução nutritiva sem solo. Esta escolha permitiu controlar com precisão a quantidade de plástico presente na zona das raízes.

Durante cinco dias, as partes não comestíveis das raízes foram deliberadamente expostas a nanoplástico. O nanoplástico é ainda mais pequeno do que o microplástico e situa-se numa escala completamente invisível a olho nu.

Nanoplástico pode ter até 100 nanómetros - o que corresponde a 0,0001 milímetros. Um cabelo humano é milhares de vezes mais grosso.

Foi precisamente este tipo de partículas que a equipa identificou mais tarde nas partes comestíveis dos rabanetes. O ensaio foi inequívoco: os fragmentos não ficam “presos” no exterior; conseguem atravessar estruturas da planta e chegar ao seu interior - e, assim, ao prato.

O que a barreira das plantas deveria, em teoria, impedir

Nas raízes, as plantas têm uma espécie de “controlo fronteiriço” natural, conhecido como barreira da faixa de Caspary. Em termos simples, funciona como um posto de verificação:

  • Regula que minerais entram na planta.
  • Bloqueia muitos contaminantes presentes no solo.
  • Protege as estruturas internas mais sensíveis.

Segundo o entendimento tradicional, partículas como as de plástico não deveriam conseguir ultrapassar esta barreira. A nova investigação contraria essa ideia, pelo menos no caso do nanoplástico.

As investigadoras e os investigadores encontraram indícios de que estas partículas microscópicas atravessam estruturas das raízes e acabam por se acumular no tecido comestível. E fizeram-no num período surpreendentemente curto: em, no máximo, cinco dias, a parte comestível do rabanete já apresentava contaminação mensurável.

A investigação mostra pela primeira vez de forma inequívoca: a barreira protetora nas raízes não trava o nanoplástico de forma fiável - o caminho para o interior do legume está aberto.

Plástico em todo o lado: do oceano ao canteiro de salada

Há anos que se sabe que o plástico se espalhou por todo o planeta. Encontram-se partículas em amostras de ar, em testemunhos de gelo, na chuva, em peixes, em mexilhões e na água potável. O estudo de Plymouth acrescenta agora uma peça decisiva a este retrato: nem mesmo alimentos associados a “vida saudável”, como os legumes, parecem estar protegidos.

A equipa salienta que é muito provável que o rabanete não seja um caso isolado. Muitas outras hortícolas têm estruturas de raiz e barreiras semelhantes. Assim, consideram plausível que, sempre que exista plástico no solo ou na solução nutritiva, ele possa também entrar noutras plantas.

Sobretudo na agricultura intensiva de hortícolas, existem vários caminhos de entrada para o plástico:

  • Coberturas de plástico e mangueiras de rega que se degradam com o tempo
  • Compostos e lamas de depuração onde podem existir resíduos de plástico
  • Chuva e vento, que transportam microplástico e nanoplástico a partir do ambiente

Desta forma, a noção inicialmente abstrata de “plástico no solo” transforma-se num cenário muito concreto: acabamos por o ingerir, mesmo quando escolhemos deliberadamente legumes frescos.

O que isto significa para a nossa saúde?

A questão mais sensível continua, por agora, sem resposta definitiva: que efeitos têm as partículas de nanoplástico no corpo humano? O estudo de Plymouth não avaliou esse impacto. Mostra “apenas” que as partículas chegam ao legume e, consequentemente, ao prato de consumidoras e consumidores.

Outros trabalhos sugerem que o nanoplástico pode, em teoria, atravessar células, depositar-se em tecidos e ainda servir de superfície de ligação para outros poluentes. No entanto, continuam a faltar valores de referência robustos e limites regulamentares claros.

Pergunta Estado atual
Quanto plástico ingerimos por dia através dos alimentos? Apenas estimativas aproximadas, com grande incerteza
Existem provas diretas de danos na saúde humana? Indícios em estudos com animais, poucos dados em humanos
Existem limites ou regras legais? Ainda não há normas específicas para nanoplástico em alimentos

Por isso, muitas pessoas da comunidade científica defendem mais investigação para compreender melhor os efeitos a longo prazo. Só quando estiver claro se - e a partir de que quantidade - o nanoplástico pode causar doença será possível traduzir esse conhecimento em consequências políticas ou em limites vinculativos.

Como podem reagir as pessoas consumidoras?

Quem pretende reduzir o contacto pessoal com plástico enfrenta uma dificuldade óbvia: o nanoplástico não se remove por lavagem nem por descasque. “Lavar muito bem os legumes” não resolve.

Ainda assim, há medidas que podem contribuir para diminuir a exposição total no dia a dia:

  • Comprar menos alimentos em embalagens de uso único
  • Beber água de garrafas de vidro ou água da torneira em vez de água em garrafas de plástico
  • Evitar utensílios de plástico na cozinha, sobretudo a temperaturas elevadas
  • Remover o pó no interior das casas com regularidade, já que aí se acumula microplástico
  • Evitar produtos que incluam propositadamente partículas de plástico (por exemplo, alguns esfoliantes)

Quanto a saber se os produtos biológicos têm, em regra, menos contaminação, não é possível afirmar com segurança. Embora existam regras mais exigentes, por exemplo, sobre lamas de depuração como fertilizante, partículas transportadas pelo ar e pela chuva também chegam a campos em modo de produção biológico.

Porque é que este problema diz respeito a toda a gente

O estudo expõe um ponto frágil: mesmo quem compra de forma consciente, consome muitos legumes e tenta evitar plástico no quotidiano não consegue escapar totalmente ao material. Ele circula num ciclo global que vai da produção ao uso e à eliminação - e que também passa pela nossa alimentação.

Para decisores políticos e para o setor agrícola, isto coloca um desafio em duas frentes. Por um lado, importa travar novas entradas de plástico nos solos, por exemplo com materiais mais duráveis na produção agrícola ou com regras mais restritivas para lamas de depuração. Por outro, é necessária mais investigação para perceber como reduzir a contaminação já existente.

Na ciência, abre-se igualmente um campo vasto: como reagem diferentes espécies ao nanoplástico? Há hortícolas que acumulam mais partículas do que outras? Que influência têm o tipo de solo, a rega e a fertilização? Respostas a estas perguntas podem ajudar a melhorar sistemas de cultivo e a reduzir riscos.

O que é, afinal, o nanoplástico

O termo “nanoplástico” parece técnico, mas descreve algo simples: o plástico fragmenta-se. De um saco surge microplástico; e, com o tempo, do microplástico nasce nanoplástico. Radiação UV, fricção, calor e frio aceleram esse processo.

Estas partículas ultrafinas têm características específicas:

  • Têm uma grande área de superfície em relação à massa.
  • Podem adsorver outras substâncias, como metais pesados ou plastificantes.
  • No organismo, comportam-se mais como pó ou partículas finas do que como um “corpo estranho” maior.

É isso que as torna relevantes do ponto de vista médico - e potencialmente problemáticas. Aquilo que entra facilmente nas células pode ser difícil de eliminar.

A investigação de Plymouth indica agora que este caminho não começa apenas no trato digestivo, mas já no ambiente e no tecido das plantas. Com isso, a questão desloca-se: não se é que ingerimos plástico, mas quanto ingerimos todos os dias - e que consequências isso poderá ter a longo prazo.


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