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Março: o mês decisivo para flores de verão com bolbos de verão, segundo Alan Titchmarsh

Pessoa a plantar um bulbo de flor num jardim com regadores e sementes à volta.

Muitos jardineiros amadores chegam à primavera e ficam a olhar, sem saber bem por onde começar, para canteiros vazios. Cortar a relva? Arrancar ervas daninhas? Para o jardineiro de televisão Alan Titchmarsh, o festival de flores de junho, julho e agosto decide-se já agora - debaixo da terra, com a escolha certa de bolbos de verão.

Porque é que março é o mês secreto que desbloqueia as flores de verão

Em março, o tempo começa a suavizar, os dias esticam e o solo vai descongelando aos poucos. É precisamente nesta janela que os jardineiros mais experientes aproveitam para plantar flores de verão. Bolbos e tubérculos ganham semanas de avanço para criarem raízes antes de chegar o calor.

"Quem planta bolbos de verão entre o fim de fevereiro e o início de abril lança as bases para plantas estáveis e hastes florais exuberantes."

Especialistas como Alan Titchmarsh e a profissional de plantas Sarah Raven aconselham o mesmo: plantar os bolbos o mais depressa possível depois da compra. Se ficarem demasiado tempo na rede ou no saco, podem secar ou começar a apodrecer. Cada dia a mais na prateleira é energia perdida - e essa energia faz falta quando chegar a altura de florir.

A boa notícia é que muitas flores de verão - como dálias, gladíolos ou lírios - são consideradas relativamente fáceis de manter. Depois de plantadas, dão cor de junho a agosto (e muitas vezes ainda mais tempo) de forma regular, sem exigir que se esteja todos os dias com as mãos na terra.

Estes bolbos de verão dão flores realmente grandes

Se a ideia é ter momentos de “uau” no jardim, não vale a pena escolher apenas pela cor: a altura e o impacto visual contam muito. Em canteiros junto a vedações ou ao longo da zona da esplanada/terraço, as variedades altas resultam especialmente bem, criando um efeito de “cortina” colorida.

Para canteiros altos e dramáticos

  • Lírios: flores elegantes, por vezes perfumadas, ótimas para canteiros e vasos grandes. Variedades entre 60 cm e mais de 1,5 m.
  • Gladíolos: espigas florais longas, excelentes como flor de corte para jarra.
  • Frésias: perfume marcante; funcionam melhor plantadas em grupo.
  • Crocosmias: aspeto esguio e ligeiramente selvagem, ideais para canteiros de estilo mais natural.

E há ainda os clássicos que transformam rapidamente um canteiro normal numa pequena “passarela” de jardim:

  • Dálias: cabeças florais enormes, desde formas simples até pompom e tipo cato.
  • Allium: flores em esfera acima do canteiro, muito decorativas no início do verão.
  • Begónias: ótimas para meia-sombra, também em vaso e floreiras.
  • Íris-barbata: flores vistosas, bem direitas, úteis para dar estrutura ao canteiro.

Muitos profissionais preferem plantar em grupos em vez de dispersar plantas isoladas. Três a seis bolbos da mesma variedade, juntos e relativamente próximos, criam manchas de cor muito mais fortes do que exemplares espalhados. Vistos do terraço, o resultado parece uma “almofada” de flores contínua - não alguns pontos de cor perdidos.

Perfeito para varanda, terraço e jardins pequenos

Quem tem pouco espaço pode seguir a sugestão de Alan Titchmarsh e apostar em plantas de vaso com floração intensa:

  • Begónias: floração prolongada para vasos e floreiras.
  • Petúnias: pendentes ou direitas, ideais para varandas e vasos suspensos.
  • Verbenas: formam tapetes e cascatas pendentes.
  • Rudbéquias: aspeto de “chapéu-de-sol”, resistentes e muito chamativas.

Na varanda, isto permite criar uma parede de flores com poucos vasos, sem ser preciso passar horas todos os dias a regar.

Como plantar e regar corretamente bolbos de verão

A regra base para qualquer planta de bolbo: evitar encharcamentos. A terra deve ser solta e bem drenada, quer no canteiro quer no vaso.

Em vaso: terracota, drenagem e a profundidade certa

Alan Titchmarsh gosta de trabalhar com vasos grandes de terracota. Além de terem boa estética, deixam a humidade evaporar lentamente através das paredes - o que ajuda a evitar “pés molhados”.

  • Confirmar se o furo de drenagem está desobstruído e, se necessário, libertá-lo.
  • Colocar uma camada fina de gravilha ou pedaços de barro/terracota.
  • Posicionar os bolbos com a ponta virada para cima.
  • Encher com substrato sem turfa, deixando uma pequena borda para a rega.

A profundidade depende do tamanho do bolbo. Regra prática: cobrir com terra equivalente a cerca de duas a três vezes a altura do bolbo. Tubérculos mais pequenos ficam menos fundos; tubérculos grandes de dália podem ir um pouco mais abaixo.

No canteiro: soltar o solo e plantar em grupos

No solo do jardim, a lógica é a mesma. Nos lírios, em particular, compensa garantir um substrato bem drenado - por exemplo, com alguma areia ou gravilha - para que as raízes não “sufocem”.

Planta Profundidade de plantação recomendada Distância
Lírios 15–20 cm 20–30 cm
Gladíolos 8–12 cm 10–15 cm
Dálias (tubérculos) 5–10 cm 40–60 cm
Begónias 3–5 cm 15–20 cm

Depois de plantar, regar bem e, a seguir, deixar a superfície secar ligeiramente antes da próxima rega. É preferível regar menos vezes, mas em profundidade, do que dar “um bocadinho” todos os dias. Assim, as raízes vão mais fundo e passam a encontrar reservas de água por si.

"Regar bem uma vez e depois deixar secar - assim os bolbos mantêm-se saudáveis e as flores duram mais."

Pragas escondidas: como proteger os bolbos de tripes

Há um problema que muitas pessoas nem consideram e que nem sempre está nas folhas: os tripes podem vir já na própria embalagem. Estes insetos minúsculos escondem-se entre as escamas do bolbo, depositam aí os ovos e, na primavera, avançam para botões e folhas.

Danos mais comuns:

  • Botões florais atrofiados e deformados
  • Riscas com brilho prateado nas folhas e nas flores
  • Manchas castanhas ou zonas ressequidas

Uma verificação rápida antes de plantar evita muitos dissabores. Exemplares moles, com bolor ou muito manchados devem ser rejeitados de imediato. Já os bolbos firmes e limpos podem ser preparados:

  • Limpar suavemente os bolbos com uma escova macia.
  • Pulverizar com uma mistura de 1 litro de água e 1 colher de sopa de um inseticida suave à base de sabão ou de sabão macio.
  • Deixar secar bem.
  • Repetir o tratamento ao fim de três dias.

Para gladíolos, ranúnculos ou anémonas, alguns jardineiros recomendam ainda um banho curto (de algumas horas) numa solução desinfetante muito fracamente dosada. Para tulipas, narcisos ou dálias, isso não é indicado, porque tendem a reagir de forma mais sensível.

Se os tripes já estiverem ativos no canteiro, ajuda um conjunto de medidas: pulverizar as folhas ao fim do dia com solução de sabão, colocar armadilhas adesivas amarelas, retirar plantas muito afetadas e armazenar apenas tubérculos saudáveis em local fresco (2–4 °C) e seco. Guardar bolbos em garagens quentes e secas, sem controlo, e voltar a plantá-los no ano seguinte costuma traduzir-se numa floração fraca.

Dicas práticas para planear, combinar e manter

Ao plantar em março, dá para planear o jardim com intenção. Faz sentido combinar épocas de floração precoce, média e tardia, para quase não haver intervalos sem cor.

  • Allium e íris-barbata para o início do verão.
  • Lírios, gladíolos e begónias para a fase principal.
  • Dálias e crocosmias tardias para agosto e o início do outono.

Em termos de composição, uma combinação eficaz é colocar lírios altos no fundo, à frente verbenas mais soltas e, mesmo na borda, begónias baixas ou petúnias. O canteiro fica em “camadas”, em vez de parecer plano.

Também é importante não cortar o folhedo logo após a floração. As folhas a amarelecer podem não ser bonitas, mas estão a alimentar o bolbo com reservas para o ano seguinte. Um truque simples é disfarçar as plantas já passadas com perenes baixas ou coberturas de solo.

Quem está a começar pode apostar, para já, em um ou dois vasos grandes. Um vaso cheio de begónias e outro com dálias ou gladíolos mostram, numa única estação, o quanto a plantação de março pode mudar o resultado. A partir daí, costuma nascer naturalmente a vontade de reorganizar um canteiro inteiro no ano seguinte.

O verdadeiro “segredo” é este: uma hora de trabalho em março, mais alguns bolbos bem escolhidos, e o jardim mantém durante meses um aspeto de quem tem um profissional a tratar de tudo diariamente. É por isso que os bolbos de verão são, para muitos, a arma discreta da época de jardinagem.

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